.Despudores.

Nina entrou na redação procurando por ele. Não contou que ia. Era surpresa. Ia fazer um teste seletivo. A sala grande e barulhenta não sentia o seu pulsar. Sentou numa cadeira distante dele, onde não podia ser vista. Recebeu a pauta, conversou com o editor, aparentemente muito calma. Escreveu todo o texto e depois, cautelosamente, abriu o MSN:

- E aí, gato, tudo bem?
- Oi minha linda.

Nina sorria. Tinha tantos planos em mente que nem cabiam em seu corpo. Imaginou aquela situação muitas vezes, mas não teve a oportunidade de realizá-la antes.

- Queria muito te ver hoje. Que horas sai do trabalho?

Eram quase sete horas. Ela sabia que às oito ele iria levantar, dar tchau aos colegas e iniciar suas passadas silenciosas e despojadas até o ponto mais próximo.

- Acho que vou sair um pouquinho mais cedo hoje.
- Han...
- Mas tenho que ir direto pra casa, minha linda...
- Ah puxa...
- É... Também queria muito te ver.
- É?
- Claro.

Nina era safada. Gostava de um perigo. E há muito tempo os banheiros, elevadores e garagens daquele Jornal eram alvos de seus delírios. Com ele, então, já havia naufragado muitas vezes em muitos cantos, na redação vazia, nas escadas. Mas ela só pensava e ele não sabia. Agora era diferente: com os desejos compartilhados, os ditos e as ações eram complementos inevitáveis.

- E se eu fizesse uma mágica e aparecesse aí agora?
- humm
- E te levasse pro estacionamento e te comesse lá mesmo?
- Nina...
- Tá... Só pense... E aí?
- E aí que vc é louca.
- rs
- E eu adoro.

E adorava mesmo. Nutriam sentimentos semelhantes de tesão e confiança e tudo acontecia rápido e sem planejamento prévio, o que deixava Nina, simultaneamente, encharcada de medo e desejo. Ela o provocava com frases cada vez mais picantes e observava de longe o seu desconcerto na cadeira, e entre uma teclada e outra olhava para os lados, desconfiado e tímido e roía uma e outra unha.

- Quer saber? Eu vou aí te ver.
- hahahahaha
- Tô falando sério. Vou arranjar uma carona aqui e vou aí agora.
- hahahahaha
- Já terminou suas coisas aí?
- Pára Nina, vc ta longe, não vai dar tempo.
- Vai sim.

Nina deu a volta na sala. E chegou por trás. Ele, aéreo. Abaixou perto dele:

- Eu não disse que era uma bruxa?

Seus pêlos, seu rosto, seus poros todos, sentiram aquelas palavras. Ele não sabia o que dizer. Olhou pra ela. Pensou em agir normal, pensou em não agir, pensou em agarrá-la ali mesmo, pensou em levantar... Mas só conseguiu desacreditar daquilo. Daquela presença. Daquele olhar. Daquela proposta.

- Não surte, levante. Vou subir. Te espero no primeiro andar.
- Você é louca?
- Quase todo mundo do setor lá já foi essa hora. Suba.

Ele a olhou levantar, andar cinicamente até sumir no corredor. Olhou pros lados: não, não tava sonhando. Leu novamente o fim da conversa, o pau latejando. Era loucura. Não podiam se agarrar lá dentro. Enquanto subia as escadas pensava na maneira como tudo acontecia e o tesão lhe percorria o corpo inteiro. Saiu do elevador num impulso e a procurou com os olhos: onde estava? O andar estava vazio e as salas com as luzes apagadas, exceto uma, bem ao fundo. Institivamente caminhou até o banheiro. Bateu na porta, incerto, e de lá de dentro soou firme e melosa aquela voz:

- Entra amor...

Nina estava de vestido, sentada na pia e de pernas abertas, sem calcinha. O pau não cabia mais na calça. Tentou balbuciar alguma coisa, mas os olhos da tigresa o chamavam para perto, apenas. Abriu o zíper enquanto Nina o olhava, gulosa. Seu coração pulsava descompassado e a vontade de devorá-la aumentada a cada instante.

- Safaaada...

E meteu devagar na gruta encharcada de Nina, que entregava seus mistérios sem pudores. Queria aquele homem há tanto tempo e havia planejado tudo, menos o tamanho do tesão. Depois da primeira gozada, desceu da pia e comeu ele inteiro, da nuca às coxas, sentindo seus gostos, seus cheiros, seus gemidos todos. Ficou de quatro, deitou no chão. Gozou inteira. Treparam enlouquecidos de desejo e medo daquela porta entreaberta, daquele lugar, daquela certeza. Até que ele parou de repente:

- Cê ouviu?
- Não pára, caralho...
- Levanta Nina, vem alguém!

Foi tudo muito rápido. O tempo exato de entrarem no casulo e fechar a porta. Ele arrumou a calça. Nina estava tonta. Silêncio.

- Putz!, Nina balbuciou.
- ?
- Minha calcinha, caralho... Ficou na pia!

Olharam-se risonhos. Nina tinha uma cara tão safada, um jeito tão tentador, que ele a olhava e só pensada em comê-la. Sentou no vaso e passou a mão entre suas pernas e ela estava completamente melada. Ele não tinha gozado ainda. Tirou o pau pra fora novamente e a fez cavalgar enquanto chupava seus peitos e tapava sua boca. Não ouviram mais nada, apenas gozaram juntos e permaneceram abraçados, naquela atmosfera que exalava sexo.

Saíram cínicos em direção ao corredor. Com o vestido encharcado de suor, Nina ainda pulsava de tesão. Arriscaram um beijo ali mesmo, esperando o elevador. Uma delícia. Estavam leves, felizes e sabiam agora que depois das sete, o banheiro do primeiro andar podia ser só deles.




4 comentários:

Ric@rdo disse...

Caralho, que delícia! Fiquei doido por uma aventura dessas.

Ei, poeta do cotidiano, cheguei e gostei daqui também. Mais um seguidor se apresentando. Assim vou ficar seu fã! rsrs.

Beijo.

Paulo Bono disse...

sacanagem das boas.
sempre Nina...

abraço

Cris disse...

ótimo!

Anônimo disse...

adorei!!!